Nos últimos dias, não se fala em outro tema na sempre movimentada Ágora Virtual. O documentário lançado pelo influenciador paranaense Felipe Bressanim, o Felca, que denuncia criadores de conteúdo envolvidos em exploração sexual infanto-juvenil, tem chamado a atenção de muitos internautas. Uma verdadeira bomba moral que estourou em um universo repleto de sonhos, ilusões e utopias vendidas pelos algoritmos das redes sociais, seduzindo mentes desavisadas.

O cerne do trabalho de Felca está na denúncia do envolvimento de menores, supostamente aliciados por Hytalo Santos e Kamilinha — influencers que teriam convidado jovens para participarem de vídeos virais, ora dançando com trajes de banho mínimos, ora com roupas curtas demais. Foram sete meses de investigação minuciosa, reunindo provas contundentes para expor que esses criadores promovem e produzem esse tipo de conteúdo envolvendo menores de idade. Os denunciados tiveram suas contas suspensas e o Ministério Público já entrou no caso, mostrando que a denúncia não ficou no vazio — o alerta foi dado, e as consequências começam a chegar.

Para além da denúncia, em seu video, visto por milhares de pessoas,Felipe chama a atenção para a adultização da infância, fazendo um alerta para a sociedade, em especial, para pais e mães, que, muitas vezes coniventes com que ocorre na frente das câmeras, o que nos leva a uma outra discussão, como o uso precoce das redes sociais e os limites éticos da tecnologia para crianças e adolescentes.

Felca, ao colocar o dedo nessa ferida, faz mais que provocar o choque, o impacto; ele nos obriga a encarar o quanto permanecemos coniventes. Ao ridicularizar absurdos que muitos sequer questionam, ele joga luz sobre um problema que não é apenas moral, mas social e político. Seu trabalho expõe toda engrenagem que mantém a sexualização como produto vendável — e o quanto ainda fechamos os olhos para isso.

Dessa forma, podemos entender que as redes sociais não são um espaço inocente para crianças e adolescentes; são armadilhas onde algoritmos, manejados pela sanha irre$pon$avel das big techs, moldam comportamentos e antecipam desejos, expondo cedo demais a infância a conteúdos perigosos e sexualizados.

O documentário produzido por Felca denuncia essa realidade e nos desafia a agir: cuidar das crianças nas redes é um dever coletivo e um ato de resistência contra a desumanização que ameaça a tal “fase da inocência”. Não basta apenas assistir — é preciso despertar e proteger antes que seja tarde demais.

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