No feriadão do Dia da Independência, o que vimos foi um ensaio para o que deverá ocorrer daqui a 15 dias.Praias superlotadas,apinhadas de banhistas nas areias em meio a um cenário desolador de 4 milhões de infectados e mais de 125 mil mortos. Imagens aéreas do último final de semana nos mostraram que o Brasil não se importa com quem está nos hospitais, seja nas macas agonizando com tubos atravessando a traqueia ou na linha de frente, enfrentando os mais diversos riscos a própria saúde , como foi mostrado em uma reportagem especial do Fantástico no último domingo (06).

Do tanto que escrevemos ou falamos a exaustão, nestes mais de seis meses confinados em nossas casas, não tem como esconder que o nosso povo faliu no intento do isolamento social. Das cenas tocantes de brasileiros arregaçando as mangas e promovendo a solidariedade, nos primeiros dias da quarentena, sobraram apenas as lembranças de uma mobilização falsa, que deu lugar a necessidade individual de banhar-se de sol e mar em plena quarentena.

É muito mais fácil, e raso, justificar a “furada” nas regras, atribuindo uma certa posição de equivalência a superlotação do transporte público,até então reduzido (exceto nos horários de pico),difícil é manter a desculpa diante dos números e eles falam por si só. Compreensível entender o cansaço, diante da politização da pandemia por promovida, em parte, pelas autoridades políticas, mas também é necessário analisar nas entrelinhas a situação em si. O certo é que, dadas as devidas proporções nas parcelas de culpa, contribuímos com as nossas atitudes diante do processo caótico que foi instaurado no país.

Desta forma, é possível refletir sobre o sistema e a síntese do que somos e o que fazemos, de certo ou errado, implica muito em sua constituição. Mas, afinal de contas, o que podemos entender sobre o Sistema e seu funcionamento em uma sociedade tão complexa como a nossa?

Quem ( e o que) é o sistema?

Antes de analisar o ser humano como parte constituinte de um todo, é possível imaginar o que seja um sistema. Dentro de uma gama de significados, pode-se definir sistema como um conjunto ordenado de elementos que se encontram interligados e que interagem entre si. Aplicando este significado a um contexto sociocultural, podemos definir como um modo de organização ou de estruturação administrativa,política,social e econômica de um estado.

Neste sentido,percebe-se que, ao vermos os dois conceitos,boa parte da população brasileira ainda se vê como uma massa dentro de um sistema com necessidades, gostos,desejos homogêneos. Entretanto,compreendendo os dias de hoje, ao dissecar a massa homogênea, vemos que o sentido de coletividade,visto na ideia do que é um sistema, se perde no sentido de uma necessidade individual.

Foi possível fazer este rodeio conceitual para compreender onde estamos dentro de um sistema e como as sociedades são partes coletivas que o constitui, seja por ideias ou atitudes. Ao olhar as cenas e fotos que,por vezes, se constituem perturbadoras em um contexto pandêmico, vemos indivíduos, com pensamentos e ações em comum, colocar as suas necessidades individuais acima de um estado de calamidade, decretado por um Estado, que também é parte constituinte de um sistema.

Conscientização Necessária

Em tempos como esses,o chamamento é preservar a si e ao outro. Dentro de cinco meses de confinamento compulsório, vimos exemplos diversos e percebemos que pequenos detalhes (aqueles que passam despercebidos) podem fazer uma grande diferença dentro de uma coletividade. Atitudes que estão dentro de uma rotina podem ser vistas nos dia a dia, incorporadas, conscientemente ou não. O certo é que a pandemia descortinou,dentro da personalidade humana, os lado positivos e negativos, despertando a solidariedade e,ao mesmo tempo o egoísmo.

Por fim, no recorte das imagens sobre as tentativas de aglomeração, frustradas (ou não) por órgãos de segurança nas praias brasileiras ,é necessário refletir ainda mais sobre o modelo de sociedade onde queremos viver. Olhar para a areia da praia cheia de pessoas e sombreiros nos faz refletir muito se é possível continuar escrevendo sobre a falta de empatia ou qualquer coisa que remeta a uma atitude altruísta e solidária em meio a um mundo cheio de lideranças que nos dizem o contrário e que são o resultado do anseio individual inspirado em valores próprios.

Refletindo sobre o que é sistema e que somos,dentro de uma coletividade,parte dele nos faz mergulhar em uma teia complexa. Em tempos onde nos é pedido o exercício de valores nobres, entender que uma mudança é necessária e custará muito esforço para o ser humano, em todos os sentidos.

Estamos em um momento em que as necessidades coletivas devem ser colocadas acima das individuais. Do contrário, seremos fadados a seguir no caminho do fracasso.

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