Um educador. Assim se define Sócrates Magno, candidato à Prefeitura de Camaçari pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). É desta forma como ele se apresenta ao eleitor nas eleições municipais deste ano. Na entrevista, Magno reflete sobre a situação atual do município, localizado na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e comenta sobre o resultado das últimas pesquisas, onde pontua com apenas 1%.

Durante a entrevista, o candidato afirmou que pretende se apresentar ao eleitorado de Camaçari como “a efetiva opção” aos dois grupos políticos predominantes, propondo uma gestão que cuida das pessoas e rompa com o que  chama de “velha política”. Além disso, o postulante do PSOL afirma que, mesmo com as limitações econômicas, a sua candidatura tem a facilidade de chegar no eleitor, que, para ele, está insatisfeito com situação política atual do município.

GUSTAVO MEDEIROS- Você atribui o 1% nas intenções de voto à Prefeitura de Camaçari a formulação de uma pesquisa, que aponta a ausência de sua atividade profissional. Ainda mantém a mesma posição?

SOCRATES MAGNO- Na verdade, não atribui o suposto 1% das intenções à falta da minha atividade profissional, na coleta de dados. Questiono a metodologia em que o meu nome não foi usado completo ou com algum sobrenome. Na divulgação do resultado da pesquisa, que geralmente reflete a forma como foi executada, enquanto os nomes dos outros candidatos e candidatas, aparecem de forma integral, apenas o meu nome foi mencionado apenas com o o pré-nome. Não há explicação plausível para isso. A minha atividade profissional, que se encontra no meu registro junto ao TRE, bem como em todo o meu material, desde a pré campanha, carrega esse detalhe. Diante do desgaste dos políticos tradicionais e profissionais, uma pessoa fora da política faz toda a diferença. No caso da pesquisa estimulada, pessoas que se identificam com a área de educação poderia optar por nosso nome.

GM- Também foi questionada as mesmas porcentagens em duas pesquisas, no caso a estimulada e a espontânea. Como você explica este “fenômeno”?

SM- Na verdade, quem deveria explicar esse “fenômeno” mesmo, seria o instituto de pesquisa. Questiono, pois não consigo compreender como alguém que pontua na espontânea, que tem uma força muito grande, pode ter o equivalente ao mesmo número de pessoas na estimulada. Seria como se apenas quem optou por nosso nome espontaneamente, também o fizesse na estimulada. Mesmo com o nome incompleto, ainda assim teria possibilidade de ser maior.

GM- A mesma pesquisa também credita a sua pré-candidatura o quarto maior índice de rejeição, atrás apenas das candidaturas do DEM, do PT e da REDE. Como analisa esses números?

SM-Discordo também desse número, uma vez que a metodologia de abordagem já é questionada por mim. Se foi colocado meu nome apenas como “Sócrates”, essa figura não reflete à minha pessoa, mas um ser estranho à sociedade de Camaçari. Não sou tão conhecido como candidato e, por conseguinte, não posso carregar rejeição tão alta. A rejeição está muito ligada à atuação do candidato, muitas vezes com mandato, ou ligação direta com outras figuras políticas. O que não temos.

GM- Como você observa a situação atual do município?

SM-Absoluta desesperança nos dois grupos que disputam o poder, ha mais de 40 anos. Há um clima de desânimo e falta de perspectiva. Uma cidade que amarga índices vergonhosos de desenvolvimento humano, violência urbana, privilégios para pessoas que não são de Camaçari. Além disso, a população rejeita tanto o grupo que está no poder, quanto o que quer voltar a assumir a prefeitura. É nessa fenda que entramos com uma proposta de projeto de cidade, que se contrapõe aos projetos de poder da velha política.

GM – Em quais pontos você pretende focar a sua candidatura à Prefeitura de Camaçari?

SM- Nos colocar como a efetiva opção a esses dois grupos. Sermos a real alternativa, fora dos arcos de aliança tradicionais que apenas loteiam a gestão. Apenas assim, podermos colocar Camaçari em um caminho de desenvolvimento sustentável, inovadora, ligada diretamente ao povo da cidade, e não ao atendimento aos grupos que ajudaram na eleição, uma vez que nosso maior parceiro nessa caminhada é a própria sociedade.

GM – Como o Sócrates Magno vai se apresentar ao eleitor de Camaçari?

SM-Como o educador, filho de Camaçari, que ao lado de Negra Magna, nossa co-prefeita, também filha da terra que poderá trazer perspectiva de melhoria da qualidade de vida, dignidade humana, respeito ao erário. Em uma gestão ligada a cuidar das pessoas, vamos propor que a população experimente uma nova possibilidade que rompa com a mesma velha política. Trazemos também a necessidade de formação de novas lideranças jovens, que deverão ocupar os espaços políticos no futuro. Assim podemos projetar uma nova cidade para as próximas gerações.

GM- Qual a sua expectativa frente ao eleitorado camaçariense?

SM-Nossa chapa, ao contrário do que diz a última pesquisa, tem uma facilidade muito grande de conquistar corações e mentes. Precisamos apenas chegar nas pessoas, apesar das limitações financeiras. Temos uma massa crítica muito grande que está insatisfeita com os dois grupos que dominam a cidade e muita gente tende a votar nulo/branco ou abster-se de votar. É nessa grande camada da população que estamos focando nossas propostas. Apesar de tentarem nos invisibilizar, nos sufocar com o poderio econômico, reafirmamos que nossa candidatura não está à venda e que vamos até o fim. Em uma caminhada de pé no chão, com humildade e firmeza, estamos alcançados essas consciências que estava desanimadas diante do quadro politico da cidade. Somos a opção que tentar ofuscar, para a nossa cidade.

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